André Luís Oliveira, professor e educador, apresenta-se como autor de livros - um infantil “A cidade dos cachorros” e o outro, “Essências e Reminiscências”, de relatos pessoais e práticas pedagógicas.

Numa primeira experiência, você escreveu o livro “A cidade dos cachorros”, uma narrativa dirigida às crianças, que leva a reflexões sobre valorizar o que cada um tem de melhor e sobre saber ouvir e observar. Recentemente você lançou um livro de relatos pessoais e práticas pedagógicas, “Essências e reminiscências”. Quais os motivos que o levaram a escrever esses dois livros?

Os dois livros surgiram como desdobramentos de textos que foram criados originalmente para cumprir outros objetivos. “A cidade dos cachorros” foi concebido como roteiro para uma peça de teatro das crianças da primeira série de 2006. Há alguns anos venho desenvolvendo um projeto denominado “fluência e entonação na leitura”, que tem como culminância a apresentação cênica dos alunos na última semana de aulas. As apresentações dos anos anteriores vinham sendo baseadas em adaptações dos textos de Ruth Rocha e de clássicos da literatura infantil.

Naquele ano senti necessidade de mudar e resolvi me arriscar com um texto próprio que acabou caindo no agrado da meninada, tanto que durante um dos ensaios, uma aluna me perguntou onde poderia encontrar o livro com aquela história. O comentário dessa criança me encheu de coragem e levei o texto para quem conhece do assunto, as professoras Alzira, Maria Marta e Regina que elogiaram e apoiaram a idéia.

Alzira teve participação importante como revisora e me ajudou a transpor o texto para o seu novo formato. Feito isso, procurei meu amigo cartunista, Renato Andrade, que deu um toque especial ilustrando o livro com seu traço moderno e talentoso. Foi assim que surgiu “A cidade dos cachorros” com o intuito de mostrar que as diferenças são complementares e não excludentes, pois todos nós somos importantes e necessários em nossas comunidades.

 

O livro “Essências e Reminiscências”, sobretudo a parte que apresenta o repertório de atividades lúdicas e os textos que abordam de alguma maneira o universo escolar nasceram de uma proposta para criar, juntamente com o psicólogo Guilherme Davoli, uma apostila sobre Psicomotricidade para estudantes de Psicopedagogia. Reuni parte desse material para compor o livro que traz ainda relatos pessoais escritos a partir da notícia da gravidez de Andresa, minha esposa, fato que me trouxe à tona lembranças e reflexões sobre a importância das experiências vividas na infância junto à escola e à família como poderosos alicerces para a formação do adulto. Mesmo os textos que tenham como pano de fundo uma época cujos costumes e ritmo fossem bem diferentes dos tempos atuais conseguem de alguma maneira sinalizar a importância e a riqueza dos vínculos estabelecidos na infância.

 

De que modo as atividades propostas em seus livros podem ajudar no aprendizado e no desenvolvimento da alfabetização da criança? Considerando que aprender não é apenas memorizar fatos e repeti-los, mas, sim, desenvolver novas maneiras de pensar e “ ver” a realidade , acredito que a prática das atividades lúdicas não deva se restringir à quadra esportiva e ao parque. Quanto maior for o repertório de jogos e brincadeiras de qualquer professor de educação infantil, inclusive do professor alfabetizador, maior a possibilidade de uma aprendizagem significativa, acrescentando novas estratégias ao conteúdo programático.Um bom repertório de jogos é capaz de transformar aulas repetitivas e monótonas em aulas dinâmicas e desafiadoras, além de desenvolver atitudes e valores tão necessários para a formação das nossas crianças, como autonomia, atenção, tolerância,cooperação e tantos outros.

As atividades apresentadas no livro, sobretudo as que envolvem leitura e linguagem espontânea, devem funcionar como um incremento, um recurso motivacional. Elas, de maneira alguma, excluem o trabalho sistematizado, pois são um complemento e, no caso da leitura, têm o objetivo de criar um clima prazeroso e motivador que atenda desde a criança já alfbetizada, até a criança que ainda está se apropriando do código escrito.

Você pensa em escrever outro livro? Já tem algum projeto?

Enquanto educador, acredito que o mais importante na aprendizagem seja o processo, o caminho permeado de desafios e conquistas que o aprendiz percorre; então, o produto apresentado é apenas a conseqüência. Para nós, adultos, o processo não é diferente. Eu não me vejo como escritor, mas sim como professor, pois meus escritos têm origem nas vivências e aprendizagens, frutos das minhas relações com as crianças e colegas de trabalho. No final de 2007, “A cidade dos cachorros” recebeu o número de registro da Biblioteca Nacional com comentários elogiosos; pode até ser que esse seja o procedimento padrão deles, de qualquer forma fiquei muito feliz. Ao início deste ano, a editora DCL me enviou um comunicado dizendo que o livro havia sido pré-selecionado para possível publicação no segmento de literatura infantil. Esses fatos me animaram e me fizeram iniciar um novo projeto para o público infantil. Assim, penso que sempre terei “material precioso”, fruto da prática pedagógica que vez ou outra poderá ter como resultado um novo livro.